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Promovido pela CDCE, o FIDC - Festival Internacional de Dança Contemporânea – surge no Alentejo interior, em 1997, inserido numa estratégia de difusão cultural, ocupando, pelo seu carácter inédito e globalizante, um lugar de destaque na vida cultural da região.
Aberto aos movimentos vanguardistas das artes performativas expressas pelo corpo, tem como objectivo maior o estabelecimento na região de uma rede cultural, em banda larga, aberta à fruição de saberes e práticas na arte da dança.
São ainda objectivos do FIDC:
- abrir um debate múltiplo, gestual, estético, criativo e técnico, rebuscando tendências e tradições;
- acolher e divulgar os movimentos da dança que dialoguem com o seu tempo, em sintonia com o que existe de novo nessa linguagem;
- instituir o FIDC como um «fórum nacional da dança».
Sendo a dança um organismo vivo, camaleónico, volátil, repleto de estilos distintos e complementares, torna-se fundamental que um evento como o FIDC, destinado à sua promoção, circulação e difusão, desenvolva novas estratégias que garantam a polaridade múltipla dos seus objectivos.
Foi neste sentido que o FIDC, inicialmente vocacionado apenas para a dança, passou, a partir de 2002, a apresentar um novo perfil, abrangendo uma nova modalidade: a performance. A esta viriam a acrescentar-se, em 2005, o teatro, a música, as artes plásticas e o vídeo/multimedia.
A introdução no tronco da programação destas expressões distintas, porém complementares à dança, visou afirmar a importância da miscigenação das artes para a construção de um futuro mais sólido, de uma identidade. Por outro lado, uma vez que a dança contemporânea utiliza cada vez mais práticas teatrais na formação dos seus bailarinos e no desenvolvimento da dramaturgia das obras, tal miscigenação fomenta a agregação e a interacção de intérpretes e criadores de diversas áreas e tendências artísticas.
É assim que, ao longo das várias edições, os palcos do festival, configurados nos mais diversificados espaços interiores e exteriores, têm vindo a proporcionar um grande lugar de encontro, de vivências, entre naturezas expressivas e indivíduos. Um momento de partilha entre criadores nacionais e estrangeiros, que neles puderam apresentar em estreia absoluta na região as suas obras. Entre os artistas convidados contam-se, por exemplo, nomes como Susanne Linke, Vera Mantero, Francisco Camacho, Sílvia Real, Amélia Bentes, Joachim Slömmer, entre outros.
Inerente ao conceito do festival, desenvolve-se uma cumplicidade e um interesse particular na promoção de obras de novos criadores, incentivando-os à produção de novas criações, sejam estas de dança, teatro, música ou vídeo.
A paleta expressiva que compõe cada programação procura estabelecer vínculos com a população e desassossegar as naturezas culturais dos públicos, afirmando a vocação experimental do evento e a sua aposta na promoção de novos consumos culturais e na formação de públicos.
Mantendo Évora como pólo dinamizador de uma rede de parcerias culturais, o FIDC incentiva o desenvolvimento de apetências e práticas, afirma-se como um momento agregador de vontades, uma entidade regional/nacional identitária, erguendo e consolidando pontes entre as diversas comunidades da região, os diversos públicos e escalões etários, as várias linguagens artísticas. De ano para ano, o campo de acção alarga-se no sentido de um envolvimento crescente da população, dos artistas e dos poderes locais.
De destacar, nesta dimensão globalizante e integradora, a intervenção socio-cultural na comunidade, através de:
- programas específicos para a participação dos públicos, considerados na perspectiva dupla de consumidores e «criadores»;
- o envolvimento de diferentes segmentos da população: jovens e séniores, eruditos e populares, rurais e urbanos.
Obs.: Entre 1998 e 2005, o festival designou-se Festival Internacional de Dança Contemporânea – Mês de Dança. Em 2006, define-se que cada edição desenvolve uma temática e uma perspectiva específica a partir dos eventos que apresenta e espaços que utiliza.
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