5 NOV | 21h30 | MATERIAIS DIVERSOS de Tiago Guedes | Black Box | Évora

Ficha Artística e Técnica

Concepção/Coreografia/Interpretação Tiago Guedes
Desenho de Luz Caty Olive
Música Raymond Scott
Assistente de Direcção/Consultor Artístico Marcelo Costa
Assistente de Ensaio Inês Jacques
Acompanhamento Artístico João Fiadeiro (coreografia e concepção), Walter Lauterer (espaço), Marta Wengorovius (no âmbito do LAB 10)
Direcção Técnica Mafalda Oliveira
Produção Materiais Diversos
Co-produção Lille 2004, Capital Europeia da Cultura; Le VIVAT (Armentières); Dança para 4 Estações/Chão de Oliva
Materiais Diversos é um Projecto Financiado MC (Ministério da Cultura)/DGArtes (Direcção Geral das Artes)
Apoio Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do Programa de apoio para Novos Encenadores, RE.AL, Atelier RE.AL
Agradecimentos
Martim Pedroso
Fapil/Fernando Teixeira
Júlio Dolbeth
Nuno Cabral
Eliane Dheygère
Centro Coreográfico de Montemor-o-Novo/Espaço do Tempo.

Estreia Absoluta_
Teatro Nacional Dona Maria II - Sala Estúdio Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, Lisboa
11, 12 e 13 de Setembro de 2003

Duração da obra
50min
Escalão Etário Geral
Como é que, a partir de uma partitura à volta dos materiais, se pode reinventar essa mesma partitura e transformá-la em algo tão abstracto quanto possível?
Como é que estes Materiais Diversos (plásticos e coreográficos) se influenciam, se interligam e estabelecem relações entre si?
“(...) O meu trabalho não se desenvolve de forma a que possa terminar uma peça, esquecê-la e dar início a outra. Existe sempre uma espécie de resíduo que passa de uma peça para as outras, é algo que trabalho conscientemente. Que questões ficaram por concluir, a que problemas é que gostava de voltar? Faço sempre uma repescagem das coisas que preciso voltar a trabalhar. Que mais potencialidades é que este material pode ter? Este bloco teve esta finalização – como é que poderia ser desenvolvido? Será que posso usar esta imagem noutra peça e noutro contexto? Tenciono sempre trabalhar a partir desses resíduos que me parecem ainda ter algo para dar. Em relação a Materiais Diversos, existia esta ideia subliminar que era o meu desejo de fazer um trabalho só à volta dos materiais, uma espécie de viagem coreográfica por uma paisagem de materiais que eu ia construindo e desconstruindo. A partir dos LAB isto modificou-se: comecei a questionar-me sobre o que poderia ser isto da coreografia que nasce dos materiais e foi assim que surgiu este díptico. Há uma coreografia que existe a partir daquela que eu fazia com os materiais, só que desprovida desses materiais, numa espécie de abstractização; uma coreografia abstracta mas a partir de uma coisa concreta. E depois a repetição dessa coreografia mas já com a sua funcionalidade, que lhe fornece outra dimensão. Mas isso foi mais tarde: numa primeira fase, a peça era para ser só a segunda parte, ou seja, só esta viagem onde se constrói uma geografia dos materiais na qual o corpo do intérprete é um corpo funcional que às vezes fornece alguns sentidos e alguns contextos. Essa parte é agora acrescida de outra, na qual os materiais são reduzidos a uma abstracção, tanto que a peça se torna suficientemente aberta para que cada pessoa possa ver lá o que quiser e construir a sua própria história. Agrada-me não canalizar o público para uma determinada percepção, que seja ele a ter um papel activo na construção do discurso sobre aquilo que está a ver. E Materiais Diversos acaba por ser isso. Claro que uma das melhores críticas que me fazem – eu próprio tenho pensado muito nisso agora – é: afinal as tuas peças são acerca de quê? É uma espécie de tema que não existe. E as pessoas questionam-se, dizem que vêem uma peça formal, muito bem construída, com uma análise dos elementos do espectáculo bem arquitectados, mas querem saber qual é o tema. O tipo de questões que me assaltou na altura tinha precisamente a ver com esta natureza formalista: que tipo de coreografia é esta com os materiais? Que tipo de corpo é este? Que tipo de intérprete é este, funcional, mas também construído? Porque a repetição dos gestos funcionais tornam-no completamente construído e coreográfico. Foi depois de me ter posto todas estas questões que surgiu esta estrutura em díptico: um esqueleto em cuja primeira parte as pessoas vêem o intérprete a fazer a sua coreografia abstracta, de movimentos e percursos, e numa segunda parte concretiza-se a contextualização desses movimentos, em que a abstractização dá lugar à materialização dos objectos. Ou seja, revela-se a primeira parte em relação à segunda, porque se dão os materiais de onde aquela coreografia saiu. Mas, de facto, não há nenhum tema a não ser um questionamento da própria forma, um questionamento desta relação entre o que é material coreográfico e o que é material plástico. E como é que derivam um do outro».
Tiago Guedes in DUAS COLUNAS
jornal editado pelo Teatro Nacional São João no Porto – Fevereiro 2004
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