29 OUT | 21h30 | DAS COISAS NASCEM COISAS de Claudia Dias / RE.AL | Black Box | Évora

Ficha Artística e Técnica

Direcção do Projecto e Coreografia Cláudia Dias
Intérpretes Márcia Lança, Rui Silveira
Espaço Cénico e Desenho de Luz Walter Lauterer
Acompanhamento Crítico João Fiadeiro, David-Alexandre Guéniot, Rita Natálio
Traduções Marie Mignot, Mónia Mota
Apoio Vocal Inês Nogueira
Música “Dance of the Dead” (excerto sonoro do filme Evil Dead 2), “No Motherland Without you” (Pochombo Electronic Ensemble), “Symphony nº3-Lento: Sostenuto tranquillo ma cantabile” (Henryk Górecki) e som gravado durante uma procissão
Poema“Perguntas de um operário letrado” (Bertolt Brecht)
Direcção Técnica Rui Simão
Direcção de Produção e Difusão Sofia Campos
Produção RE.AL
Co-produção alkantara, Festival ¡Mira! TnBA (Projecto co-produzido por Next Step, com o Apoio do Programa Cultura da União Europeia)
Residência Artística Forum Cultural José Manuel Figueiredo/Câmara Municipal da Moita, Atelier RE.AL
Apoio Forum Dança, Lisantigo
Agradecimentos Alaíde Costa, Andrea Brandão, Gustavo Sumpta, Ivo Serra, José Morais e equipa do FCJMF, Maria João Garcia, Paula Caspão, Paulo Mota, Vera Sofia Mota, Olga Mesa

Duração da obra
60 min
Escalão Etário Maiores de 10 anos
Embalagem de papel totalmente reciclável.
Peso máximo a ser embalado: 25 kg
Não empilhar mais do que 3 caixas
Não serve para embalar líquidos ou produtos perigosos.
Proteger da humidade

O fabricante não pode ser responsabilizado por qualquer utilização indevida desta caixa.


Passar um dedo sobre o tampo de uma mesa e encontrar o limite da força a partir do qual o dedo terá que parar. Na nova criação de Cláudia Dias, o atrito poderá ser uma boa metáfora para a forma como os sentidos se cristalizam em torno de possíveis imagens. Palavras e acções são superfícies de contacto - diz –se o que se faz , faz-se o que se diz. Um microfone em cena, enquadrado por uma pequena parede de caixas de cartão, define um espaço próprio ao discurso - um espaço em que se define, comenta e contextualiza o que se faz. A acção, por sua vez, tem também o seu espaço próprio. Concentra-se em torno de caixas de cartão, objectos-padrão que darão o mote a toda a proposta. Há assim desde o início da peça, uma proposta de relação de forças entre palavras e coisas, cujo recorte à partida formal, nos permite respirar à medida de um mergulho inesperado. Mergulho no atrito. À medida que se avança, as imagens suspendem-se entre aquilo que são na acção e se podem tornar no discurso, há pequenas paragens de sentido, leituras múltiplas, fotografias do provisório. Dueto de corpos e dueto de perspectivas.

As palavras tocam-se e trocam-se - tradução gera traição, fricção gera ficção. O que é dito recoloca-nos em novos contextos, soma-lhes perspectiva, pontos de fuga, direcções improváveis, dramaturgias em esquisso, subjectividade. “Das coisas nascem coisas” e dos corpos nascem corpos, entre-corpos que vão escalando a possibilidade de ficção de forma ambígua, apropriando-se dos problemas que apresentam para se insuflar de novas vidas possíveis. Perante objectos multifuncionais e normalizados pelo fabrico em série (como é o caso da caixa de cartão), o exercício semântico torna-se caixa de ressonância de códigos culturais implícitos na língua e no gesto. Somos lançados na confusão de sentidos pessoais, sociais e simbólicos que habitam o interior das imagens e o espaço cénico converte-se em lugar de especulação de um debate, quase público, quase político, ou político porque público. Como se o teatro pudesse ser, por momentos, arena de discussão. Lugar de construção de um discurso e partilha de urgências. Lugar de manifestação. Ou, talvez mesmo, de manifesto.
Rita Natálio, 8 de Maio 2008
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