Não se pode fazer cultura com a política, mas talvez se faça política com a cultura, nasceu de uma ideia original da coreógrafa Nélia Pinheiro, trabalhada e desenvolvida em colaboração com a coreógrafa alemã Susanne Linke.
Nas primeiras sessões de trabalho entre Pinheiro e Linke, realizadas em Vienna - Áustria, o framework da obra adquiriu uma identidade. As estruturas expressivas desenvolveram uma harmonia ditada na contraposição com associações psicológicas e físicas adquiridas no processo de experimentação - as acções tendem para a self-examination, na perspectiva de edificar um lugar em que manifestem a sua verdadeira especificidade e intensidade.
O espectáculo representa um estudo específico sobre o material histórico: a situação dos artistas e da criação artística no período do regime Nazi, e na realidade portuguesa antes de ABRIL. O Diferencial de tempo não produz colisão de planos temporais, mas desperta o espectador para a analogia com os factos. Um espaço de reflexão, que é ao mesmo tempo, o resultado da descoberta de um padrão de linguagem entre ambas as coreógrafas. Tudo é moldado no dançarino: no seu corpo, na sua alma.
A peça, embora recorra aos códigos da linguagem da dança, procura projectar-se na descoberta de uma identidade, onde o corpo actua na sua expressão e posicionamento natural. Objectiva-se: a edificação de uma textura emocional, organizada através de acentos orgânicos; o desenvolvimento de um alfabeto gestual que amplie a comunicação; o desenvolvimento de uma mecânica que reorganiza o lugar - corpo.
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| Nélia Pinheiro in Programa de Espectáculo |