Um imaginário expressivo que procura desenvolver uma consciência actualizada da história. Não procura exemplificar os momentos históricos, mas construir através de metáforas cénicas, um desenho de realidade, um percurso pelos acontecimentos reais. Expressar, as palavras ainda não ditas pelos testemunhos vivos.
O formato da obra, surge a partir de duas propostas expressivas desenvolvidas no confronto com o público, e recebe dessa experiência novos materiais para a textura actual - solo perfilados de medo; de 2002 - Man kann mit politik keine kultur machen/aber vielleicht mit kultur politik, de 2004. Um processo faseado no tempo, que através de vários mecanismos e percursos utilizou a maturidade artística e profissional de ambas as coreógrafas envolvidas na criação da obra.
No palco da memória, assiste-se a uma experiência de crise num tempo de transformação. A memória de M (personagem), serve de mediação para a memória do tempo, enquanto matriz de uma série de associações abertas à construção de novas redes com o material histórico. Um trabalho de rememoração que se faz através do confronto de fragmentos de épocas diferentes.
M traduz um colectivo feminino e masculino - uma figura assexuada. A FIGURA DO GRITO E DA MORTE. A partir do contexto situacional, não narra ou exemplifica, gera as suas próprias associações na expressão mais íntima da existência. As acções não descrevem uma atitude naturalista, ou biográfica, mas constróem uma textura física e psicológica. Um corpo que habita num espaço histórico, com um olhar critico, consciente e actuante, com uma atitude reflexiva que viabiliza o desenvolvimento do processo de adaptação individual, a novos indicadores.
Os gestos do dia a dia, descritos pelo corpo, as linhas plásticas que se ignoram, desenvolvem associações específicas e qualitativas no contacto com as matérias captadas do meio. Os pequenos gestos que no dia a dia se perdem, são agora matéria inscrita no imaginário psicofísico da intérprete, imersa na investigação de caracteres captados na fragmentação e dissecação do quotidiano.
|