A ideia de criar um espectáculo com as gentes da região, que aborde a cultura especifica do cante (interpretado ao vivo), nasceu em 95 a quando da criação de CHÃO VERMELHO.
Em 98, estavam criadas as condições. Existia tempo para entrar em estúdio e questionar. Questionar a função da companhia na região, e a linha de estética dos últimos trabalhos.
"Face a face com os nossos mais profundos desejos, leva-nos a ver as coisas que nos rodeiam com outros olhos que não são os habituais."
A possibilidade de existir dança nos corpos da região - forjou a escolha de um coral alentejano misto. As sonoridades escolhidas encontraram em Janita Salomé a decisão final, ele aceitou com agrado a ideia Após várias conversas com o compositor sobre os temas, a cedência de material raro da sua discografia, foi ganhando forma. A banda sonora resultava numa fusão entre o cante alentejano e sonoridades pré gravadas interpretadas por Janita Salomé.
Equacionar a necessidade de olhar para dentro, olhar para as gentes, para nós, e para aquilo que gostamos e não gostamos. Outras, como a imensidade do espaço físico que o Alentejo impõe, o isolamento, e desvios de comportamentos, surgiram nas digressões pela região durante a criação, e novos elementos foram sendo propostos aos bailarinos e cantores.
OLHO FOGO, algumas páginas vividas com as gentes, meia dúzia de esboços para linhas coreográficas, partir, desbravar o cante, colocar movimentação nos corpos dos cantores, e fundir uma plástica sobre uma região na sua contemporaneidade.
Há mais questões.
Há sempre mais questões.
|