O processo de criação de As Palavras Não Ditas foi intenso, agitado e ao mesmo tempo revelador no seu todo.
Revelou um início preenchido pelo uso de novos canais na forma de falar do, e com o corpo. Permitiu encontrar a liberdade no questionar os códigos. Tentativa após tentativa gerou, uma densa paleta expressiva retirada intencionalmente da história. Falou e tocou em valores, atitudes e sentimentos tidos como irrelevantes nos nossos dias. Falou-se de liberdade e no percurso descobriu-se a ausência do seu verdadeiro valor e significado.
No dia-a-dia, a democracia, está adquirida, anda à solta e ao mesmo tempo está encerrada em valores que lhe sufocam a vitalidade e empalidecem a cor.
Apesar de tudo as andorinhas ainda voltam, na primavera!
“Vivemos num estado opressivo, tipo Big Brother em que uma pessoa está sempre a ser vigiada em todo o lado… e nem pode respirar”.
Na sociedade democrática ou melhor, na sociedade videovigiada em que vivemos nenhum corpo escapa às câmaras indiscretas, ao Close UP, indesejado.
Os cidadãos privados passaram a ser vigiados no espaço público, todos os seus movimentos são seguidos com atenção.
“You can live your life but you can’t hide”, é frase dominante num anúncio Outdoor.
Close Up fala de uma vida que desconhece os valores da democracia, quando ganha a liberdade, descobre-se na prisão “outdoor” e “indoor” da sociedade videovigiada.
“I saw an eyeball staring at me!”
Uma mulher chega a casa. Está livre!
Procura dar sentido às lembranças do passado. Depois de lavar a cara, quando levanta a cabeça descobre uma câmara a observá-la “from a two-and – half inch hole in the wall.”
“Could someone be watching you?”
Close Up fala da vida de uma mulher que se julgava segura, livre, até descobrir que estava a ser seguida, gravada, vigiada.
“Now make sure you don’t become a victim”.
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| Nélia Pinheiro in Programa de Espectáculo |